Recomendações e aprendizados decorrentes da pandemia podem ajudar as escolas do RS na retomada das aulas

O Rio Grande do Sul teve 1.058 escolas afetadas pelas cheias em 248 municípios. Foram 378,8 mil estudantes impactados. Um total de 570 instituições danificadas e 86 adaptadas para servirem de abrigo em meio às cheias. Professores e equipes escolares, estudantes e suas famílias perderam suas casas e estão em situação de vulnerabilidade extrema e os governos têm como responsabilidade promover o retorno às aulas o mais brevemente possível garantindo condições de trabalho e acesso

O desastre ocorrido no Rio Grande do Sul também é uma oportunidade de refletir e pensar em políticas que foquem na resiliência escolar em contextos de desastre, que envolvam a capacidade das escolas e das comunidades escolares de se prepararem, responderem e se recuperarem de eventos adversos, como desastres naturais, crises de saúde pública, ou outras emergências. Garantir a continuidade da educação, a segurança dos estudantes e funcionários e o bem-estar geral da comunidade escolar requererá diferentes tipos de apoio nos próximos anos. 

Com o intuito de colaborar com essa reconstrução, destacamos algumas recomendações desenhadas por pesquisadores em dois estudos publicados pelo D³e e que sistematizam aprendizagens importantes, decorrentes da pandemia de Covid-19, e que podem trazer referenciais para o contexto atual do Rio Grande do Sul. 

Aprendizagem Híbrida? Orientações para regulamentação e adoção com qualidade, equidade e inclusão

Durante a pandemia de covid-19, redes de ensino de diversos países precisaram oferecer espaços de aprendizagem não presenciais. O relatório analisa experiências internacionais, estratégias emergenciais e de recuperação de aprendizagem, condições para mediações tecnológicas e a centralidade da docência, no intuito de compreender as abordagens híbridas e contribuir para a formulação de políticas. Entre as recomendações traçadas pelos pesquisadores está a adoção da abordagem híbrida dividida em três condições de uso, ou “gatilhos” para a introdução de políticas e ações: emergencial com componente remoto; recomposição da aprendizagem com  componente remoto; e períodos regulares com foco na ampliação  da oferta e inovação pedagógica.

O relatório aponta importantes considerações relacionadas à adoção de estratégias para situações de emergência, quando a ida à escola não for possível, com o objetivo de reduzir possíveis perdas de aprendizagem e atuar na manutenção de vínculo socioemocional com a comunidade escolar. E destaca como fundamental considerar a situação emergencial maior e seus efeitos sobre a comunidade escolar, e a redução da carga horária total e realizar atividades complementares e esgespecíficas, com foco na saúde mental de estudantes, docentes e pessoal administrativo e pedagógico.

Material completo

Resumo do relatório

Gestão escolar em tempos de crise: o que a pandemia pode nos ensinar para o futuro?

A pandemia de covid-19 obrigou o mundo todo a reinventar formas de ensino. Impossibilitada de se encontrar presencialmente, a comunidade escolar teve de criar uma nova forma de se relacionar e de pensar sobre o processo de ensino e aprendizagem. Nesse contexto, o Brasil foi um dos países onde as escolas permaneceram fechadas por mais tempo. Ainda que desgastante, esse momento de crise permitiu o desenvolvimento de aprendizados que apontam para oportunidades de fortalecimento da educação brasileira no futuro

O estudo mostrou que a pandemia deu origem a uma maior aproximação das famílias e dos estudantes. Ela gerou, por um lado, maior conhecimento dos diretores em relação ao contexto e aos desafios dos estudantes e de toda a comunidade escolar; e, por outro, maior reconhecimento da escola pelas famílias, que passaram a valorizar os vínculos afetivos que são construídos na escola, o papel do professor e a importância da escola. Essa convivência mais próxima com os estudantes e suas famílias também gerou uma desnaturalização das injustiças, pois os gestores se depararam com situações muito mais vulneráveis do que imaginavam encontrar e a preocupação com a equidade ficou mais clara

Outro aprendizado foi a necessidade de implantar um sistema colaborativo entre os diferentes níveis de governo, com clareza de atributos e responsabilidades para cada ente, de modo a garantir a governança do sistema e a valorização da decisão tomada em conjunto. É preciso ter clareza sobre o papel do Estado e não depender de ações “heróicas” dos diretores. A pandemia também demonstrou a importância da continuidade da gestão para garantir o aprimoramento da atuação e o aprendizado continuado dos gestores em exercício. Para isso, as políticas voltadas aos gestores escolares com foco no fortalecimento da gestão escolar precisam ser repensadas. 

Na retomada do ensino presencial o foco deve ser na recuperação da aprendizagem de forma ampla, com diferentes estratégias e atentando para as diferentes necessidades dos estudantes, mas também em ações de saúde mental para a comunidade escolar. Após a pandemia, a retomada presencial foi marcada por uma comunidade escolar fragilizada e evidenciou-se a importância de trazer a saúde mental para o centro do debate educacional. 

Relatório de Política Educacional

Resumo do Relatório

Evidências em Mãos (One-page)