D³e participa de seminário sobre atuação docente em múltiplas escolas

No dia 30 de junho, o D³e participou do seminário de discussão dos resultados da pesquisa “Professores que atuam em múltiplas escolas no Brasil: mapeando e compreendendo o fenômeno”, realizado pela Fundação Carlos Chagas (FCC), na sede da organização em São Paulo (SP). O encontro reuniu pesquisadores e parceiros da iniciativa para refletir sobre os resultados parciais do estudo, que investiga fatores relacionados ao trabalho docente em mais de uma escola. 

Iniciada em 2024, a pesquisa é desenvolvida pela FCC em parceria com o Centro Lemann da Universidade de Stanford e com o D³e, com conclusão prevista para 2026. As etapas iniciais envolveram revisão de literatura e análise estatística, a partir dos dados do Censo Escolar da Educação Básica de 2023. Atualmente, estão em curso estudos de caso em redes de ensino e a elaboração de um questionário que será aplicado a professores de todo o país. Os resultados comporão um Relatório de Política Educacional a ser publicado no primeiro semestre de 2026.

A programação do seminário incluiu uma apresentação sobre os processos de alocação de professores a escolas e turmas, discussões em grupo sobre os achados dos estudos de caso e o levantamento de temas prioritários para aprofundamento por meio de survey. Participaram representantes das organizações apoiadoras da pesquisa – Instituto Sonho Grande, Instituto Natura, Instituto Península e Movimento Profissão Docente -, que conta ainda com apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 

A nota técnica Atuação docente em múltiplas escolas no Brasil, um dos pontos iniciais dessa ampla pesquisa, aponta que 19,4% dos professores da educação básica atuam em mais de uma escola no Brasil – proporção muito acima da média dos países participantes da pesquisa TALIS/OCDE, em que 71% dos sistemas educacionais têm no máximo 5% dos docentes nessa situação. No Brasil, essa condição é especialmente frequente entre docentes homens, das redes estaduais, que atuam no ensino médio, nos anos finais do ensino fundamental e na EJA, além de disciplinas com menor carga horária semanal, como Física, Química, Biologia e Sociologia.

O acúmulo de trabalho em múltiplas escolas está associado a impactos negativos no bem-estar dos professores, como estresse, problemas de saúde vocal e psicológica, além da dificuldade em participar de atividades pedagógicas coletivas. Há também evidências de prejuízos à aprendizagem dos estudantes, sobretudo os mais vulneráveis.

Diante desse cenário, o estudo recomenda que as redes de ensino priorizem a alocação dos professores em uma única unidade escolar – medida prevista na Estratégia 16.14 do novo Plano Nacional de Educação (PNE 2024–2034). Para isso, é fundamental revisar os processos de atribuição de aulas, organização das matrizes curriculares e oferta de jornadas integrais com dedicação exclusiva, além de assegurar remuneração compatível com outras profissões de nível superior.

Ao participar do seminário, o D³e reforçou a importância de compreender esse fenômeno em suas múltiplas dimensões e de produzir evidências que possam subsidiar a formulação de políticas que promovam melhores condições de trabalho docente e maior qualidade na educação básica brasileira.