Transformar a Educação Profissional e Tecnológica em política estruturante não depende só de recursos financeiros
Em artigo para o Nexo Políticas Públicas, Francisco Mello Castro e Olivia Silveira argumentam que a educação profissional e tecnológica (EPT) precisa ser encarada como uma política pública estruturante no Brasil, ou seja, uma política que esteja integrada de maneira sustentável no sistema educacional e no desenvolvimento econômico nacional, e não apenas dependente de variações orçamentárias. Os autores ressaltam que há evidências de que egressos de cursos técnicos têm salários significativamente mais altos em comparação com quem concluiu apenas o ensino médio regular, indicando a importância dessa modalidade para a empregabilidade e a inclusão socioeconômica dos jovens.
O texto também defende que a transformação da EPT exige mais do que apenas dinheiro: é preciso fortalecer sua articulação com o mundo do trabalho, promover formação docente específica, desenvolver currículos alinhados às demandas produtivas locais e construir marcos de governança que garantam continuidade e qualidade. Castro e Silveira apontam que essas ações estruturantes podem ampliar o impacto da EPT no desenvolvimento social e econômico, ajudando a preparar a juventude não apenas para vagas de emprego, mas para carreiras sustentáveis ao longo da vida.