Só 4% das escolas privadas do Ceará tem comissão de prevenção à violência

Reportagem do Diário do Nordeste revela que apenas 4% das escolas privadas do Ceará instituíram comissões de proteção e prevenção à violência contra crianças e adolescentes, exigência prevista em lei estadual. Diante desse dado, Cléo Garcia, uma das autoras do relatório Ataques de violência extrema em escolas no Brasil, observa que a baixa adesão no setor privado é particularmente preocupante em um contexto em que episódios de violência extrema em escolas não se restringem à rede pública:

“Os episódios de violência extrema nunca têm uma única causa. Eles costumam ser uma combinação de diversos fatores: inclui trajetória de sofrimento, sentimento de rejeição e conflitos com que não se lida adequadamente. Em alguns casos, há aquelas influências ideológicas extremistas.”

Cléo também ressalta que, na rede privada, temas como bullying, saúde mental e prevenção à violência costumam ser tratados como “problemas individuais ou familiares”, ao passo que deveriam ser encarados como questões estruturais envolvendo toda a comunidade escolar. Isso reforça a urgência de medidas institucionais — como comissões permanentes de prevenção, protocolos claros e formação de equipes — para lidar com os múltiplos fatores que podem levar a atos graves de violência nas escolas.

Leia a reportagem