O cansaço de professores(as) é um sintoma coletivo
Em coluna para o VivaBem UOL, Michelle Prazeres argumenta que o forte desgaste entre os docentes brasileiros não pode ser pensado como algo exclusivamente individual — trata-se de um sintoma coletivo que revela as condições estruturais da educação no país. Ela aponta que pesquisas recentes, como a TALIS 2024 da OCDE, mostram que 21% dos professores no Brasil relatam que o trabalho é muito estressante (acima da média dos países da OCDE), e que 16% afirmam que a docência afeta negativamente a saúde mental. A coluna conecta esses dados à lógica neoliberal da educação — focada em produtividade, metas e aceleração — que vive em tensão com o tempo e a qualidade de relação que uma sala de aula deveria privilegiar.
Prazeres propõe que a solução para esse cenário não é meramente individual — não basta “dar conta” ou “resistir” mais um ano — mas estrutural. Ela sugere que se repensem as condições de trabalho dos professores, incluindo carga horária, número de turmas, apoio institucional, descanso real, autonomia profissional e valorização social. Por fim, a autora cita a síntese de evidências Promoção de saúde mental no contexto escolar, publicada pelo D³e, entre um conjunto de estudos relevantes sobre o tema.