Desigualdade territorial e presença estatal: efeitos do racismo estrutural sobre a educação
Em artigo para o Congresso em Foco, Shyrlei Rosendo dos Santos discute como o racismo estrutural no Brasil se manifesta na educação por meio da combinação entre a violência das operações policiais e a precariedade da infraestrutura estatal em favelas e periferias.
A autora da nota técnica O impacto da violência armada no direito à educação argumenta que a segurança pública baseada no confronto armado e a negação de direitos básicos, como o saneamento, criam obstáculos sistêmicos que interrompem o calendário escolar e limitam o desempenho acadêmico da população negra.
Dessa forma, a desigualdade territorial não é fruto do acaso, mas de uma estratégia de governança que aceita a suspensão do direito à educação como um efeito secundário da política de segurança, perpetuando vulnerabilidades e transformando esses territórios em zonas onde a cidadania é sistematicamente negada.